
Na sociedade actual, urge uma grande necessidade em matéria de resolução e prevenção de conflitos amorosos. Vários conflitos amorosos tornam proporções indesejáveis a qualquer pessoa comum, e, por muitas vezes, deixam marcas nas vidas das pessoas, transtornando-as ou traumatizando-as, mudando, assim, toda a abordagem em possíveis relações futuras.
Sabemos que o indivíduo tem como necessidades fisiológicas não só as imprescindíveis à sua manutenção de vida, mas todo um conjunto de factores que condicionam o cérebro a poder, ou não, desempenhar em pleno a sua actividade.
Entre esses factores podemos enumerar a calma, um ambiente razoável e saudável, quando se vive com mais pessoas, a necessidade de compreensão mútua, etc. No exemplo de uma vida de casal, estes factores figuram como essenciais para a prevenção de períodos indesejáveis na relação. Há uma série de comportamentos e atitudes tomados/as por ambas as partes que estabelecerá a solidez da relação, o seu desenvolvimento e, logo, o estado de satisfação e felicidade de cada um dos comprometidos.
A convicção e a firmeza ética entram em jogo desta forma. Talvez seja comum em algumas relações não haver afirmação por uma ou ambas as partes. Esta afirmação a que me refiro envolve a dedicação, a disponibilidade e o total envolvimento - na medida em que a relação necessitar, de ambas as partes. Por vezes, os casais podem-se encontrar em situações a que nunca imaginaram que poderiam chegar no início e, aqui, podem começar a surgir conflitos ou alguma espécie de atritos.
Os conflitos, esses, que podem tomar a forma de várias incidências ou estilo de vida, funcionará provavelmente como um ciclo vicioso, em que uma vez que começa, entra-se numa espécie de espiral negativa que irá, evidentemente, deteriorar não só a qualidade da relação mas também da felicidade individual de cada um, tendo também, como consequência, problemas e irregularidades na sua vida profissional e social.
Os valores de uma pessoa são de tal forma essenciais que poderão servir, pura e simplesmente, como um eliminador de problemas mal eles surjam, possibilitando sempre a manutenção de uma relação minimamente estável.
Por isso, a ética, ou uma hierarquia de valores bem reflectida, tem um peso absolutamente grandioso na vida de cada pessoa. Porque serão os determinadores ou condicionadores das atitudes e acções do seu respectivo portador. Podem, e “devem”, agir, entrar em acção ou ser requisitado em qualquer área ou altura da vida. Assim, os valores que vamos adquirindo ao longo da vida vão ser-nos úteis até ao fim da mesma, e particularmente cruciais quando estiverem situações e dilemas em confronto, quando nos relacionamos com outras pessoas, especialmente quando é alguém com quem se vive e se partilha sentimentos, tal como com quem se divide um conjunto de responsabilidades.
Para mantermos uma relação amorosa saudável, longe de conflitos, temos sempre de apelar à razoabilidade, bom senso, flexibilidade e à calma de espírito, para poder sempre ver as coisas de um prisma que não é susceptível de sucumbir à falta de paciência, ou ao stress acumulado da vida profissional, ou quaisquer outros motivos que influenciem o estado de humor de uma pessoa. Também é bom sermos persistentes quando queremos apenas que o bom ambiente se mantenha, quando sabemos que há um conjunto de medidas e atitudes que, pura e simplesmente, sustentam uma vida e relação saudável entre duas pessoas.
Quando os conflitos ganham dimensões extremas, infelizmente, pode ocorrer a violência, tomando a forma cega de actuar face àquilo que por vezes criamos, em tempos anteriores. Ou seja, a questão da prevenção acaba por ser crucial pois, no fundo, poderá ser o que é necessário para os problemas não surgirem, ou se surgirem é em pequeno grau e normalmente têm rápida resolução.
Pretendo enfatizar a necessidade que há em ser compreensivo e razoável com os outros. No fundo este exemplo não se aplica só aos casais, mas às relações com todos os outros que não somos nós. Claro que quanto ao problema da violência entre duas pessoas que estão envolvidas, há outras coisas em jogo. Pode ser muito frustrante para alguém aperceber-se que foi traído ou enganado. Em certa altura na nossa história apareceu uma denominação de um crime chamada de “crime passional” que tem um entendimento diferente de outros tipos de crime.
Também pode-se fazer mal ao outro simplesmente por falta de valores íntegros. É esta questão que considero das mais importantes, ou seja, os valores de uma pessoa vão proporcionar as situações em que irá viver. Sendo assim, tudo aquilo que o indivíduo aprendeu até então, tudo aquilo que criou em si, vai ser um factor que determina o tipo de relações que um indivíduo possa ter. E a convicção naquilo que acredita, nos seus valores e a firmeza ao pô-los em prática passa a ser o factor no qual a estabilidade de uma relação pode depender.
Resta-nos então acreditar a 100% numa causa para podermos, de facto, obter-mos coisas realizadas. E quanto à não-violência numa relação, passa por um esforço ou um trabalho de base já feito na aprendizagem em progresso de qualquer indivíduo até hoje. Sobretudo, nas relações humanas e, especialmente nas relações de namoro, torna-se inevitável a partilha e construção de valores comuns, para uma base sólida de cumplicidade e realização.