BATER?! APENAS SE FOR O CORAÇÃO!


terça-feira, 23 de junho de 2009

Ciclo da Violência Doméstica

(Imagem: pintura de Van Gogh)

Eis um artigo muito interessante retirado de:



"O ciclo de violência doméstica pode ser entendido como um círculo no qual as dinâmicas da relação agressor/vítima se manifestam, sistematicamente, passando sempre por 3 fases:


Fase 1 – Fase da Emergência da Tensão é caracterizada pelas tensões quotidianas acumuladas pelo agressor, que geram um ambiente de perigo para a vítima. Sob qualquer pretexto o agressor vai expulsar todas as suas tensões sobre a vítima. É a fase da raiva, culpabilização e discussão.

Fase 2 – Fase da Agressão é a fase em que o agressor maltrata (física, psicológica ou sexualmente) a vítima que procura defender-se pela sua passividade. Este ataque pode ser de grande intensidade.

Fase 3 – Fase da Reconciliação (“Lua de Mel”) é a fase em que o agressor manifesta arrependimento, tentando desculpabilizar-se pelo seu comportamento violento. Para tal, o agressor justifica-se com o facto de estar alcoolizado, do dia de trabalho ter corrido mal, etc. O agressor recorre a diversas estratégias sedutoras.


Este ciclo é vivido pela vítima num clima constante de medo, esperança e amor. O medo resulta das experiências de violência vivenciadas anteriormente pela vítima. A esperança radica numa conjugalidade sem violência. O amor que continua a sentir pelo agressor é reforçado por este na fase de “lua-de-mel”.
Este ciclo caracteriza-se pelo seu prolongamento no tempo, ou seja, pela sua repetição, podendo ser cada vez mais intensa e frequente a fase da agressão, enquanto que as fases de tensão e lua-de-mel tendem a diminuir, chegando mesmo a desaparecer. Quando isto acontece, a vítima pode deixar de acreditar na mudança do comportamento do agressor, facto este que a pode impulsionar para um pedido de ajuda.
É fundamental percebermos o contexto que envolve o ciclo acima descrito, e não analisarmos somente a violência doméstica enquanto acto isolado."

terça-feira, 16 de junho de 2009

O QUE É AMOR VERDADEIRO?

Esta é uma questão muito difícil de responder. Mas representa, acima de tudo, uma questão a que cada um deve tentar dar resposta, uma questão em que cada um de nós deve reflectir. Afinal, qual a diferença entre amor e paixão, por exemplo?!
Embora a preocupação pelas questões da intimidade e do amor tenha ocupado a reflexão ao longo da humanidade, só nas últimas décadas mereceu um tratamento científico por parte de alguns psicólogos.
Desde logo, Kelley distingue três modelos de amor: o passional, que se caracteriza, sobretudo, por uma forte necessidade pela presença e afectos do outro; o pragmático, cuja tónica reside na confiança e tolerância mútuas; e, por fim, o modelo de amor altruísta, no qual se destacam valores ligados à preocupação e ao cuidar do outro.
Por sua vez, Sternberg propõe uma teoria triangular do amor, ou seja, refere que são 3 os núcleos essenciais do amor, podendo conjugar-se de diferentes modos entre si:
- A intimidade (componente principalmente emocional), que requer um sentimento de proximidade, de contacto com o outro;
- A paixão, ligada à motivação para a atracção física e sexualidade, para aspectos românticos;
- A decisão/compromisso, relacionada com a vontade de conhecer o outro, de compreendê-lo, de ter consciência de que se ama o outro e, a longo prazo, implica a aceitação da continuidade da relação.
Assim, da conjugação destas componentes permite-nos distinguir 8 modelos de amor:


(Quadro adaptado de Psicologia B, vol.2, Edições ASA, pag. 78)

Perante a resposta: o que é amor verdadeiro? Somos, precipitadamente levados a responder: o tipo de amor consumado… e é, sem dúvida, verdade… mas serão os outros tipos de amor menos verdadeiros?! Enfim, consideramos que não. O amor consumado não é algo que se atinja imediatamente num namoro… pelo contrário: é algo que se vai construindo. Pode começar-se por uma amor à primeira vista ou por romântico e, a pouco e pouco, chegar-se a um amor consumado. O que é importante é que este longo caminhar se faça com alicerces sólidos, num projecto a dois, em que a estabilidade, o desejo e a responsabilidade se vão multiplicando através da cumplicidade e do diálogo. Claro está, em nenhuma destas etapas está prevista a violência no namoro, pois um simples gesto irreflectido, um simples acto menos consciente (como refere o nosso colega André Bento, no último post) pode deitar por terra a grande construção que é o desafio de uma relação a dois.


O AMOR VERDADEIRO É A VONTADE E COMPROMISSO DE APRENDER A SER FELIZ A DOIS!

Henrique Amorim e João Rosado, 11.ºM – Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho

domingo, 14 de junho de 2009

Tempo para pensar...

Perante a problemática da violência no namoro, tenho vindo, desde hà uns tempos para cá, a reflectir sobre uma questão à qual não se tem dado a real importância: a partir de que medida se pode considerar um sujeito como violento no namoro?
Vejamos a seguinte situação: um rapaz - que já teve algumas namoradas anteriormente e nenhuma teve razão de queixa em relação a episódios de violência - encontra-se com a namorada do momento num bar. No decorrer da noite eles têm uma discussão. Devido à influência dos amigos, o rapaz bebe demais, por outro lado, devido à discussão a namorada decide ignorá-lo e vai conviver com um grupo que se encontra no mesmo bar. O rapaz, a certa altura, dá um estalo na namorada e só se vem a aperceber do seu acto no dia seguinte, quando volta ao seu estado consciente.
As questões que coloco nesta reflexão são:
Como se pode classificar o adolescente nesta situação?
Este acto justifica o fim da relação?
Eu penso que, neste caso, não podemos seguir a tendência imediata de pensar: “bateu, é violento” ou “bateu uma vez, baterá outras”. O facto, é que nenhuma das suas anteriores namoradas foram vítimas de violência por parte dele, e uma pessoa, quando se encontra alcoolizada, pode perder a consciência dos seus próprios actos. A meu ver, este sujeito, pode tanto ser uma pessoa violenta, como uma pessoa calma nas suas relações.
A questão essencial em que devemos reflectir é na possibilidade de existir um engano na avaliação do agressor. A namorada, naturalmente, não ficará indiferente e terá de fazer algo em relação ao sucedido. Abaixo exponho duas possibilidades:
1) Afastar-se do rapaz, por achar que é violento (devido a um acto realizado numa fase inconsciente);
2) Afastar-se do rapaz durante um período de tempo para demonstrar que não ficou indiferente com o sucedido.
No primeiro caso, penso que seria uma atitude um pouco precipitada (principalmente se gostarem mesmo um do outro), devido ao facto daquilo ter sucedido quando o sujeito não se encontrava no estado racional. No segundo caso, proponho-me a tentar ver um pouco a perspectiva do que agrediu (note-se que não desculpo o facto de se ter deixado influenciar pelos amigos, e ter ficado alcoolizado).
O sujeito, neste caso, em que a principal causa daquele acto foi o álcool ingerido, ficará durante este período sujeito a uma violência psicológica, criada por ele (ao recriminar-se pelo sucedido) e pela namorada (que o julga como único culpado daquele tempo dado à relação). Após esse compasso de espera e a relação ser retomada, o sujeito continua a sentir-se mal com o sucedido e perante um novo desentendimento no casal, este assunto será sempre uma “arma” usada pela rapariga para levar a sua opinião por diante.
Em suma, conclui-se que a relação deve em qualquer um dos casos ser terminada, não devido ao facto de haver um caso de agressão, mas devido aos estragos causados por esse facto. Por mais que o acto não tenha sido premeditado, causará sempre danos irremediáveis na relação, e conduzirá sempre um dos membros a ser alvo de violência. Mal exista uma primeira agressão dentro do casal a relação deve sempre terminar, pois será sempre a decisão mais saudável para ambos os lados. Isto não quer dizer que não se retome a relação mais tarde, quando a confiança for retomada... mas há sempre necessidade de um espaço de reflexão, a frio, em que ambos têm de encontrar um caminho. Um episódio de violência, mesmo sem ser "totalmente propositado" não se apaga facilmente.

André Bento, 11.ºM - ESMAVC
(Imagem: "O desterrado" de Soares dos Reis)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Firmeza Ética Nas Relações Amorosas

Na sociedade actual, urge uma grande necessidade em matéria de resolução e prevenção de conflitos amorosos. Vários conflitos amorosos tornam proporções indesejáveis a qualquer pessoa comum, e, por muitas vezes, deixam marcas nas vidas das pessoas, transtornando-as ou traumatizando-as, mudando, assim, toda a abordagem em possíveis relações futuras.
Sabemos que o indivíduo tem como necessidades fisiológicas não só as imprescindíveis à sua manutenção de vida, mas todo um conjunto de factores que condicionam o cérebro a poder, ou não, desempenhar em pleno a sua actividade.
Entre esses factores podemos enumerar a calma, um ambiente razoável e saudável, quando se vive com mais pessoas, a necessidade de compreensão mútua, etc. No exemplo de uma vida de casal, estes factores figuram como essenciais para a prevenção de períodos indesejáveis na relação. Há uma série de comportamentos e atitudes tomados/as por ambas as partes que estabelecerá a solidez da relação, o seu desenvolvimento e, logo, o estado de satisfação e felicidade de cada um dos comprometidos.
A convicção e a firmeza ética entram em jogo desta forma. Talvez seja comum em algumas relações não haver afirmação por uma ou ambas as partes. Esta afirmação a que me refiro envolve a dedicação, a disponibilidade e o total envolvimento - na medida em que a relação necessitar, de ambas as partes. Por vezes, os casais podem-se encontrar em situações a que nunca imaginaram que poderiam chegar no início e, aqui, podem começar a surgir conflitos ou alguma espécie de atritos.
Os conflitos, esses, que podem tomar a forma de várias incidências ou estilo de vida, funcionará provavelmente como um ciclo vicioso, em que uma vez que começa, entra-se numa espécie de espiral negativa que irá, evidentemente, deteriorar não só a qualidade da relação mas também da felicidade individual de cada um, tendo também, como consequência, problemas e irregularidades na sua vida profissional e social.
Os valores de uma pessoa são de tal forma essenciais que poderão servir, pura e simplesmente, como um eliminador de problemas mal eles surjam, possibilitando sempre a manutenção de uma relação minimamente estável.
Por isso, a ética, ou uma hierarquia de valores bem reflectida, tem um peso absolutamente grandioso na vida de cada pessoa. Porque serão os determinadores ou condicionadores das atitudes e acções do seu respectivo portador. Podem, e “devem”, agir, entrar em acção ou ser requisitado em qualquer área ou altura da vida. Assim, os valores que vamos adquirindo ao longo da vida vão ser-nos úteis até ao fim da mesma, e particularmente cruciais quando estiverem situações e dilemas em confronto, quando nos relacionamos com outras pessoas, especialmente quando é alguém com quem se vive e se partilha sentimentos, tal como com quem se divide um conjunto de responsabilidades.
Para mantermos uma relação amorosa saudável, longe de conflitos, temos sempre de apelar à razoabilidade, bom senso, flexibilidade e à calma de espírito, para poder sempre ver as coisas de um prisma que não é susceptível de sucumbir à falta de paciência, ou ao stress acumulado da vida profissional, ou quaisquer outros motivos que influenciem o estado de humor de uma pessoa. Também é bom sermos persistentes quando queremos apenas que o bom ambiente se mantenha, quando sabemos que há um conjunto de medidas e atitudes que, pura e simplesmente, sustentam uma vida e relação saudável entre duas pessoas.
Quando os conflitos ganham dimensões extremas, infelizmente, pode ocorrer a violência, tomando a forma cega de actuar face àquilo que por vezes criamos, em tempos anteriores. Ou seja, a questão da prevenção acaba por ser crucial pois, no fundo, poderá ser o que é necessário para os problemas não surgirem, ou se surgirem é em pequeno grau e normalmente têm rápida resolução.
Pretendo enfatizar a necessidade que há em ser compreensivo e razoável com os outros. No fundo este exemplo não se aplica só aos casais, mas às relações com todos os outros que não somos nós. Claro que quanto ao problema da violência entre duas pessoas que estão envolvidas, há outras coisas em jogo. Pode ser muito frustrante para alguém aperceber-se que foi traído ou enganado. Em certa altura na nossa história apareceu uma denominação de um crime chamada de “crime passional” que tem um entendimento diferente de outros tipos de crime.
Também pode-se fazer mal ao outro simplesmente por falta de valores íntegros. É esta questão que considero das mais importantes, ou seja, os valores de uma pessoa vão proporcionar as situações em que irá viver. Sendo assim, tudo aquilo que o indivíduo aprendeu até então, tudo aquilo que criou em si, vai ser um factor que determina o tipo de relações que um indivíduo possa ter. E a convicção naquilo que acredita, nos seus valores e a firmeza ao pô-los em prática passa a ser o factor no qual a estabilidade de uma relação pode depender.
Resta-nos então acreditar a 100% numa causa para podermos, de facto, obter-mos coisas realizadas. E quanto à não-violência numa relação, passa por um esforço ou um trabalho de base já feito na aprendizagem em progresso de qualquer indivíduo até hoje. Sobretudo, nas relações humanas e, especialmente nas relações de namoro, torna-se inevitável a partilha e construção de valores comuns, para uma base sólida de cumplicidade e realização.


Francisco Henriques, EFA Sec2 - ESMAVC
(imagem retirada: http://www.fotolog.com/jovemcentral06)

Um amor quase perfeito

(Pintura de Matisse - A alegria de viver)

Era um namoro chamado perfeito tinha: amor, carinho, atenção e compreensão. Era aquele amor em que tudo era lindo, em que saiam juntos para jantar, para passear, namorar, conversar, enfim, durante muito tempo foi sempre assim!
Ela amava-o, e ele amava-a. Mas algo de inesperado aconteceu: ela engravidou.
Ela contou-lhe que estava grávida. Mas ela não queria ter o bebé, pois ao ter o bebé pensava que o seu relacionamento não iria ser mais o mesmo e que o corpo se iria deformar - e que, por isso, ele podia arranjar outra (além do mais, depois ela tinha de ficar com o bebé em casa e assumir as responsabilidades, arrumar a casa e trabalhar). Seja que por motivo for, ela era uma adolescente e não sentia preparada. Todavia, ele insistiu e ela acabou por decidir ter a criança.
O tempo passou e a criança nasceu; mas uma mudança radical sucedeu: aquele rapaz, que ela tanto amava, que lhe dava atenção, respeito, compreensão e amor, começou a desligar-se… na mente dela, isso só podia ser resultado de uma traição, e começou também a desligar-se dele. Apesar de estarem a viver juntos estavam cada vez mais longe um do outro… Toda as noites ela chorava de tristeza e desilusão, por coisas que ela tinha de aguentar e se calar, coisas que o coração não podia aguentar, as saídas dele, à noite, jantares com amigas, deixando-a com o filho sozinhos em casa. Ela chegou a ver-lhe o telemóvel, mensagens e chamadas, por tudo e por nada desconfiava dele… farta desta situação, foi resolver as coisas com ele e pedir-lhe satisfações …mas ele reagiu com violência, física, desta vez.
Com revolta e desgosto ela quis ir embora de casa mas ele pediu-lhe perdão… ambos conversaram e chegaram à conclusão que cada um tinha assumido comportamentos violentos, à sua maneira; com diálogo, aperceberam-se qual tinha sido o seu principal problema: a falta de diálogo em assumir um compromisso tão grande, como a vinda de um filho. A partir daí decidiram não cair no mesmo erro!
Ele pediu-lhe perdão e jurou nunca mais lhe bater…como ela o amava e ele amava-a, decidiu dar-lhe mais uma oportunidade, mas jurou que se ia embora na próxima vez que ele lhe batesse. Pois bem, estão juntos até agora… com os seus pequenos desentendimentos, mas nada que o amor e o diálogo não superem.

Nádia Solange, CEF 1B, Escola Secundária de Camarate

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Associação de Mulheres Contra a violência


A Associação de Mulheres Contra a Violência é uma organização que pretende “combater” a violação dos direitos das mulheres, nomeadamente no que diz respeito à violência.
Esta instituição focaliza-se na informação, na sensibilização e consciencialização da sociedade no que respeita à violência contra crianças, jovens e mulheres disponibilizando, assim, apoios especializados e também refúgios temporários.

A AMCV reconhece e defende direitos, paras as mulheres e crianças, como:
- Uma vida livre de medo, violência e abusos;
- Cada qual tomar as suas próprias decisões, ou seja, ter uma vida própria;
- Serem ouvidas e acreditadas;
- Serem informadas;
- Usufruir de um sistema de protecção social e legal que garanta os seus direitos.

Em suma, a AMCV pretende que sejam reconhecidos os direitos, as experiências e o direito à informação de forma a aumentar o poder de escolha e decisão das mulheres, crianças e jovens. Aceda ao site:


Filipa, 11.ºM ESMAVC