BATER?! APENAS SE FOR O CORAÇÃO!


domingo, 14 de junho de 2009

Tempo para pensar...

Perante a problemática da violência no namoro, tenho vindo, desde hà uns tempos para cá, a reflectir sobre uma questão à qual não se tem dado a real importância: a partir de que medida se pode considerar um sujeito como violento no namoro?
Vejamos a seguinte situação: um rapaz - que já teve algumas namoradas anteriormente e nenhuma teve razão de queixa em relação a episódios de violência - encontra-se com a namorada do momento num bar. No decorrer da noite eles têm uma discussão. Devido à influência dos amigos, o rapaz bebe demais, por outro lado, devido à discussão a namorada decide ignorá-lo e vai conviver com um grupo que se encontra no mesmo bar. O rapaz, a certa altura, dá um estalo na namorada e só se vem a aperceber do seu acto no dia seguinte, quando volta ao seu estado consciente.
As questões que coloco nesta reflexão são:
Como se pode classificar o adolescente nesta situação?
Este acto justifica o fim da relação?
Eu penso que, neste caso, não podemos seguir a tendência imediata de pensar: “bateu, é violento” ou “bateu uma vez, baterá outras”. O facto, é que nenhuma das suas anteriores namoradas foram vítimas de violência por parte dele, e uma pessoa, quando se encontra alcoolizada, pode perder a consciência dos seus próprios actos. A meu ver, este sujeito, pode tanto ser uma pessoa violenta, como uma pessoa calma nas suas relações.
A questão essencial em que devemos reflectir é na possibilidade de existir um engano na avaliação do agressor. A namorada, naturalmente, não ficará indiferente e terá de fazer algo em relação ao sucedido. Abaixo exponho duas possibilidades:
1) Afastar-se do rapaz, por achar que é violento (devido a um acto realizado numa fase inconsciente);
2) Afastar-se do rapaz durante um período de tempo para demonstrar que não ficou indiferente com o sucedido.
No primeiro caso, penso que seria uma atitude um pouco precipitada (principalmente se gostarem mesmo um do outro), devido ao facto daquilo ter sucedido quando o sujeito não se encontrava no estado racional. No segundo caso, proponho-me a tentar ver um pouco a perspectiva do que agrediu (note-se que não desculpo o facto de se ter deixado influenciar pelos amigos, e ter ficado alcoolizado).
O sujeito, neste caso, em que a principal causa daquele acto foi o álcool ingerido, ficará durante este período sujeito a uma violência psicológica, criada por ele (ao recriminar-se pelo sucedido) e pela namorada (que o julga como único culpado daquele tempo dado à relação). Após esse compasso de espera e a relação ser retomada, o sujeito continua a sentir-se mal com o sucedido e perante um novo desentendimento no casal, este assunto será sempre uma “arma” usada pela rapariga para levar a sua opinião por diante.
Em suma, conclui-se que a relação deve em qualquer um dos casos ser terminada, não devido ao facto de haver um caso de agressão, mas devido aos estragos causados por esse facto. Por mais que o acto não tenha sido premeditado, causará sempre danos irremediáveis na relação, e conduzirá sempre um dos membros a ser alvo de violência. Mal exista uma primeira agressão dentro do casal a relação deve sempre terminar, pois será sempre a decisão mais saudável para ambos os lados. Isto não quer dizer que não se retome a relação mais tarde, quando a confiança for retomada... mas há sempre necessidade de um espaço de reflexão, a frio, em que ambos têm de encontrar um caminho. Um episódio de violência, mesmo sem ser "totalmente propositado" não se apaga facilmente.

André Bento, 11.ºM - ESMAVC
(Imagem: "O desterrado" de Soares dos Reis)