Embora a preocupação pelas questões da intimidade e do amor tenha ocupado a reflexão ao longo da humanidade, só nas últimas décadas mereceu um tratamento científico por parte de alguns psicólogos.
Desde logo, Kelley distingue três modelos de amor: o passional, que se caracteriza, sobretudo, por uma forte necessidade pela presença e afectos do outro; o pragmático, cuja tónica reside na confiança e tolerância mútuas; e, por fim, o modelo de amor altruísta, no qual se destacam valores ligados à preocupação e ao cuidar do outro.
Por sua vez, Sternberg propõe uma teoria triangular do amor, ou seja, refere que são 3 os núcleos essenciais do amor, podendo conjugar-se de diferentes modos entre si:
- A intimidade (componente principalmente emocional), que requer um sentimento de proximidade, de contacto com o outro;
- A paixão, ligada à motivação para a atracção física e sexualidade, para aspectos românticos;
- A decisão/compromisso, relacionada com a vontade de conhecer o outro, de compreendê-lo, de ter consciência de que se ama o outro e, a longo prazo, implica a aceitação da continuidade da relação.
Assim, da conjugação destas componentes permite-nos distinguir 8 modelos de amor:
(Quadro adaptado de Psicologia B, vol.2, Edições ASA, pag. 78)
Perante a resposta: o que é amor verdadeiro? Somos, precipitadamente levados a responder: o tipo de amor consumado… e é, sem dúvida, verdade… mas serão os outros tipos de amor menos verdadeiros?! Enfim, consideramos que não. O amor consumado não é algo que se atinja imediatamente num namoro… pelo contrário: é algo que se vai construindo. Pode começar-se por uma amor à primeira vista ou por romântico e, a pouco e pouco, chegar-se a um amor consumado. O que é importante é que este longo caminhar se faça com alicerces sólidos, num projecto a dois, em que a estabilidade, o desejo e a responsabilidade se vão multiplicando através da cumplicidade e do diálogo. Claro está, em nenhuma destas etapas está prevista a violência no namoro, pois um simples gesto irreflectido, um simples acto menos consciente (como refere o nosso colega André Bento, no último post) pode deitar por terra a grande construção que é o desafio de uma relação a dois.
O AMOR VERDADEIRO É A VONTADE E COMPROMISSO DE APRENDER A SER FELIZ A DOIS!