(Imagem: pintura de Van Gogh)Eis um artigo muito interessante retirado de:
"O ciclo de violência doméstica pode ser entendido como um círculo no qual as dinâmicas da relação agressor/vítima se manifestam, sistematicamente, passando sempre por 3 fases:

Fase 1 – Fase da Emergência da Tensão é caracterizada pelas tensões quotidianas acumuladas pelo agressor, que geram um ambiente de perigo para a vítima. Sob qualquer pretexto o agressor vai expulsar todas as suas tensões sobre a vítima. É a fase da raiva, culpabilização e discussão.
Fase 2 – Fase da Agressão é a fase em que o agressor maltrata (física, psicológica ou sexualmente) a vítima que procura defender-se pela sua passividade. Este ataque pode ser de grande intensidade.
Fase 3 – Fase da Reconciliação (“Lua de Mel”) é a fase em que o agressor manifesta arrependimento, tentando desculpabilizar-se pelo seu comportamento violento. Para tal, o agressor justifica-se com o facto de estar alcoolizado, do dia de trabalho ter corrido mal, etc. O agressor recorre a diversas estratégias sedutoras.
Este ciclo é vivido pela vítima num clima constante de medo, esperança e amor. O medo resulta das experiências de violência vivenciadas anteriormente pela vítima. A esperança radica numa conjugalidade sem violência. O amor que continua a sentir pelo agressor é reforçado por este na fase de “lua-de-mel”.
Este ciclo caracteriza-se pelo seu prolongamento no tempo, ou seja, pela sua repetição, podendo ser cada vez mais intensa e frequente a fase da agressão, enquanto que as fases de tensão e lua-de-mel tendem a diminuir, chegando mesmo a desaparecer. Quando isto acontece, a vítima pode deixar de acreditar na mudança do comportamento do agressor, facto este que a pode impulsionar para um pedido de ajuda.
É fundamental percebermos o contexto que envolve o ciclo acima descrito, e não analisarmos somente a violência doméstica enquanto acto isolado."