BATER?! APENAS SE FOR O CORAÇÃO!


domingo, 31 de maio de 2009

Entrevista à Doutora Luísa Morgado - Professora de Psicologia da Universidade de Coimbra

Entrevistadora - Boa Tarde, sou uma aluna do 11º M, da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, vim fazer esta entrevista no âmbito de um projecto que estamos a realizar acerca da violência durante o período de namoro. Podia responder-me a umas perguntas, por favor?
Professora Luísa – Com certeza, se souber!

Entrevistadora – Em sua opinião o problema da violência é muito comum entre os jovens?
Professora Luísa – Não lhe posso responder com certezas, pois não existem estatísticas fiáveis que o digam, existem sim mais casos denunciados, mas não são seguros para estatísticas, porque antigamente as pessoas não denunciavam os casos.

Entrevistadora – Que causas podem estar na origem de comportamentos violentos no namoro?
Professora Luísa – Bem, digamos que cada caso é um caso, mas posso referir os mais comuns:
- Ter sido vítima de violência na infância e ter tendência a repetir comportamentos a que se foi sujeito;
- O sujeito pode ter tendência a afirmar a sua identidade, ao não ter capacidade intelectual, isto é não se conseguindo expor verbalmente, usa a violência para impor a sua opinião;
- Pode, inclusive, o agressor ter uma patologia associada, iniciar um processo psicótico, começando a manifestar violência;
- Pode ainda ser devido a álcool, drogas, etc., em que o agressor perde capacidade verbal, e perde a consciência dos seus actos.
- E pode também ser características de personalidade da pessoa.

Entrevistadora – Como deve a vítima lidar com o agressor?
Professora Luísa – A vítima, em primeiro lugar, tem de perceber qual a causa associada à agressão. Imaginemos que a causa é o álcool, a droga, ou psicose… em primeiro lugar a vítima deve, imediatamente, afastar-se do agressor; deve também avisar os pais do namorado do caso e este deve ter acompanhamento médico.
Em caso algum a vítima deve achar que tem culpa do sucedido, nada justifica a violência, mesmo que o agressor seja vítima. Caso parta para a violência, isso significa que não consegue resolver os problemas inerentes a partir da palavra.

Entrevistadora – Como se pode definir o perfil do agressor? No dia-a-dia é alguém igualmente violento?
Professora Luísa – Não se pode traçar um perfil de um agressor, as pessoas têm tendência a associar uma pessoa violenta a uma pessoa que é violenta no dia-a-dia, mas isso não é certo. O agressor é, normalmente, uma pessoa estimável com aqueles por que não sente posse. Já nos casos de violência no namoro, o agressor nesses casos tem um sentimento de posse sobre a vítima.

Entrevistadora – O que se entende por violência psicológica?
Professora Luísa – Violência psicológica é o caso de violência em que o agressor leva o outro a sentir-se culpado. Por exemplo: ficar amuado, ou dizer à vitima que não gosta dela; existe também violência psicológica a partir de questões financeiras (são obrigadas a fazer o que não querem a partir de doações).

Entrevistadora - Por que motivo muitas das vítimas de violência no namoro não terminam as suas relações?
Professora Luísa – Existem muitos motivos para a vítima não terminar as suas relações - pode ser por gostar do agressor, pode ser também porque o agressor, depois de ser agressor, é uma pessoa amorosa, pede desculpas e é muito carinhosa; a isto dá se o nome de ambivalente, isto é, a pessoa tanto é querida como é uma pessoa violenta. E pode também ser porque o agressor convence a vítima de que foi culpada.

Entrevistadora – Que mensagem deixa aos jovens namorados nos dias de hoje?
Professora Luísa – A mensagem que deixo é: Em caso de violência no namoro, deve-se logo avisar os pais, ou uma pessoa mais velha, e afastar-se do agressor. Deve-se também procurar ajuda junto de instituições, tal como a se dá notícia no vosso Blog.