BATER?! APENAS SE FOR O CORAÇÃO!


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nem tudo o que reluz é ouro!!!

(Imagem: campanha da APAV)
Há algum tempo, uma amiga minha conheceu um rapaz e começaram a namorar. Ela ficou logo "cega de amor" e, ainda mal o conhecia, decidiu fugir de casa para ir morar com ele - ele tinha recebido um cheque e com esse dinheiro foi comprar roupa de marca e calçado para ela, pois ele dizia que fazia tudo por ela. Assim, foram para longe, morar numa barraca - como ela dizia "bastava um amor e uma cabana!".
Ao principio tudo era muito bonito... mas ele, com o passar do tempo, começou a meter-se na droga e a ficar violento; as coisas foram-se agravando ao ponto de ele a obrigar a roubar (afinal, o dinheiro não dá para sempre), e ela assim o fez, roubava e dava-lhe sempre o dinheiro que roubava, caso contrário ele batia-lhe e ameaçava-a.
Muitas vezes, com o dinheiro que ela roubava, ele comprava muita comida... mas a ela só lhe dava uma sandes por dia (e nem sempre dava... como ele dizia: "As mulheres não se querem gordas!"). Quando saíam ela só podia olhar para o chão... se olhasse para qualquer rapaz, mesmo sem qualquer outra intenção, ele batia-lhe mesmo ali... houve um dia que passaram por um grupo de rapazes; ela já sabia que não podia olhar e, claro, não olhou, mas ele decidiu na mesma bater-lhe à frente de todos - e o que dá mais raiva é que nenhum dos rapazes do grupo ajudou, aliás, um deles ainda se riu.
Quando ela viu que se enganou a respeito do rapaz por quem se tinha apaixonado cegamente, era já muito tarde... tentava fugir mas ele apanhava-a sempre e ainda era pior: quando chegavam a casa ele queimava-lhe os cabelos, sem qualquer explicação; muitas vezes, agarrava-a pelos cabelos e arrastava-a pelas escadas abaixo dizendo que a queria matar. As violência foi tanta que ela acabou por ficar cheia de hematomas, desfigurada... e por dentro sem se sabe! Desfeita!
A minha amiga não merecia tal sorte, não fazia mal a ninguém, mas porquê ela? Apenas porque foi demasiado ingénua e não soube proteger-se, digo eu.
Quando, certa vez, ficaram sem dinheiro, foram morar para casa dos pais dele; assustados, os pais dele perguntam o que se tinha passado, para a minha amiga estar feita num "farrapo". Ele, chantageada por ele, não teve outro remédio senão mentir e dizer que foi um grupo que lhe bateu quando ele não estava por perto... os pais acreditaram. Porém, pouco tempo depois, os pais aperceberam-se de onde vinham as agressões e, um dia, quando ele não estava em casa, encorajaram-na a fugir. E ela assim fez: apanhou o primeiro autocarro que viu e, chorando, andou sem destino; quando ele deu conta foi à procura dela, mas não a encontrou - e, com medo que ela o denunciasse, foi chamar o irmão dela para irem à sua procura. Já tinham procurado por todo a lado quando, de repente, o irmão a vê num autocarro a chorar e desfigurada, quase não a reconhecia; ele diz-lhe para descer... ela tem medo do namorado mas, como está lá o irmão dela, desce; o namorado disfarça e diz-lhe para voltar para casa, mas o irmão apercebe-se e diz que não, que ela vai para casa dela. E assim foi - o cobarde não teve coragem de enfrentar o irmão e, finalmente, tinha terminado o pesadelo!
A minha amiga chegou a casa esfomeada e cheia de sono; deram-lhe de comer e adormeceu. Quando acordou a mãe perguntou o que se tinha passado; ela, embora com receio, conta a verdade.... mas diz para não contar a ninguém. Nesse momento já ele estava na sala, a chorar, a dizer que queria falar com ela porque a amava, contando a mesma história falsa que contou aos pais dele. A mãe dela expulsou-o de casa e ligou ao padrasto dela, que foi atrás dele, para "resolver as coisas à sua maneira"... no entanto, ele fugiu a tempo e hoje está em parte incerta.
Devo dizer que não concordo com a forma de o padrasto da minha amiga tentar resolver as coisas, "à sua maneira", até porque hoje, felizmente, já há muitas instituições de apoio à vítima e à mulher que é agredida... é um caso de polícia, que deve ser resolvido pelos tribunais - caso contrário, violência só gera mais violência.
O que gostaria de dizer as todas as raparigas é que tenham cuidado, que não se precipitem nas relações... antes de qualquer decisão é preciso conhecer o namorado, a pouco e pouco... Sobretudo, se forem agredidas não se deixem chegar ao ponto que esta minha amiga chegou... peçam ajuda! Afinal, o medo não resolve nada e, com o silêncio, apenas vamos ficando mais pequenas e com menos forças.

Ângela Teixeira - CEF 1.ºB - Escola Secundária de Camarate