BATER?! APENAS SE FOR O CORAÇÃO!


domingo, 31 de maio de 2009

Ontem e hoje: ter a quem dizer...

(Imagem: Catarina Fonseca/ACTIVA 19 Fev. 2009)

A real diferença da violência no namoro actual com o de antigamente, encontra-se não nas estatísticas apresentadas, mas no entendimento das duas realidades, bastante distintas. Hoje em dia, as mulheres têm inúmeras associações e organizações de apoio à vítima de violência que ajudam a que relatem e acusem estes actos por parte dos transgressores, ao passo que mantêm o anonimato. Podemos ver, portanto, uma série de apoios institucionais, sociais e legislativos que defendem as mulheres e lhes dão Os meios para se defender. Quer através de campanhas, quer através de instituições como a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), a AMCV (Associação das Mulheres Contra a Violência), entre outras, quer através de Decretos-Lei, que regem estes casos, quer até mesmo por apoio popular, existe, sem sombra de dúvida, uma maior mobilização, que nos dá esperança e alegria para encarar o futuro.
Outrora, mais precisamente até à Revolução de 1974, a discriminação em função do sexo era de tal forma real que até era legitimada pelas leis. A mulher, até então, não tinha direitos para estudar, escolher uma profissão, viajar ou votar, entre outras coisas, e, consequentemente, não tinha direitos ou apoios para se defender: estava, portanto à margem de uma cidadania plena, como se fosse propriedade do homem. Vejamos: se ainda hoje a dependência que uma relação violenta cria, quer por medo, quer por amor cego, ou por receio de rejeição, faz com que muitas vítimas continuem caladas… imaginem como seria antes do 25 de Abril!
Com isto podemos concluir que a prevenção da violência cada vez mais ganha força; e os casos de violência doméstica poderão não ser uma realidade tão nova como parece, ao analisarmos estatísticas: apenas está a ganhar mais visibilidade. Podemos realisticamente dizer que, provavelmente, o pior já passou… Não significa isso que não haja muito a ser feito para combater este flagelo. Mas dar-lhe um nome, dar voz às pessoas vítimas de violência no namoro e no casamento… Só isso já é uma grande batalha ganha!

Tiago - EFA SEC2 - ESMAVC