(Pintura de Antonio López García)
Certo dia, quando saí da escola, qual não é o meu espanto quando me deparo com a irmã da minha melhor amiga, que tem cerca de 18 anos, com a cara toda marcada. Fui logo ter com ela, para saber o que lhe tinha acontecido. Foi, então, que fiquei a saber que o namorado lhe tinha batido - e que já não era a primeira vez (aliás, as cenas de pancadaria agravavam-se de dia para dia). Dessa vez, como em todas, o motivo da agressão foi estúpido (e outras vezes nem era preciso motivo): o namorado tinha acabado de chegar do trabalho e vinha chateado porque tinha discutido com o patrão; palavra puxa palavra, começou a chateá-la muito, porque queria à força toda que ela fizesse o jantar para os amigos dele. Contudo, como ela lhe disse que já tinha feito o jantar só para os dois (sugerindo-lhe que podia combinar com os amigos para outro dia)... ele ficou furioso! Disse-lhe que a função dela não era dar opiniões e, sem mais nem menos, espancou-a violentemente! Bateu até na filha, pequenina, só porque esta se colocou à frente!
Caros amigas e amigos... isto já não é só moralmente condenável... o que ele fazia e faz é crime!Então, falei com um professor e ele deu-me o conselho de ir procurar ajuda numa associação: Associação de Mulheres Contra as Violência. Nesta associação foram impecáveis: deram aconselhamento psicológico à minha amiga; encaminharam-na para aconselhamento jurídico; como a minha amiga tinha uma família estável e que lhe oferecia protecção, foi viver para casa dos pais dela... Nesta associação estiveram sempre disponíveis para ela, para a ajudar, e acompanharam o caso de perto (não se limitaram a reunir com ela de vez em quando). No fundo, estas pessoas da associação deram à minha amiga aquilo que lhe faltava: coragem e escudo de protecção! Não deram os passos por ela, mas ajudaram-na a caminhar, devagar, e a arranjar forças para reconstruir a sua vida com a filha (uma inocente, que, a pouco e pouco, se tornou numa criança feliz)!!!
No site desta associação há muita informação para as mulheres se puderem defender - tem até estratégias de segurança para sobreviventes de violência doméstica: http://www.amcv.org.pt/amcv_files/homemain.html. Se quiserem podem até carregar num botão do site e ninguém fica a saber que consultaram o site (a minha amiga, na primeira vez fez isso, porque o namorado ia sempre ver os sites que ela tinha consultado).
Passados dois anos ela junto-se com um rapaz, ao fim de um ano de namoro, porque ela viu que esse rapaz gostava mesmo dela - não porque dizia que a amava (porque dizer é fácil) mas porque no dia-a-dia tratava-a com respeito e com companheirismo. O homem que vive hoje com ela prometeu-lhe que iam ser muito felizes e que vai fazer com que ela se esqueça do passado triste que teve. E está a conseguir!Ele não a trata como se ela fosse uma rainha, nada disso! Trata-a apenas com amor (e isso é mais e melhor do que tratá-la como rainha)!!!
Sílvia Santos - CEF 1.ºB - Escola Secundária de Camarate
